Abelhas Sem Ferrão

Abelhas sem ferrão do Cerrado: como elas se organizam e quais são as principais espécies no Distrito Federal

No Cerrado, as abelhas sem ferrão (tribo Meliponini) são protagonistas silenciosas. Elas polinizam nativas, frutíferas e hortaliças, sustentando produtividade e biodiversidade. No Distrito Federal (DF) já foram registradas mais de 35 espécies e a atividade de meliponicultura vem crescendo com cursos e regulamentação específica. unbeelab.unb.brEmater Distrito Federal

Como essas abelhas se organizam

Sociedade altamente cooperativa. As meliponíneas são eusociais: vivem em colônias perenes com rainha (reprodução), operárias (defesa, coleta, criação das crias, construção) e zangões (machos reprodutores). A divisão de trabalho muda com a idade da operária — de “babá” a forrageadora. Seus ninhos têm potes de mel e pólen, discos de cria e envoltórios de cerume (mistura de cera + resinas). Muitas espécies usam geoprópolis (propolis + partículas minerais) e batume (massa de vedação) para controlar temperatura e umidade. Na defesa, não ferroam, mas mordem, lançam resinas pegajosas e fazem “voos de intimidação”. Embrapa+1

Nova colônia sem “enxame” explosivo. Diferente da Apis, a expansão ocorre por fissão gradual: operárias montam um “acampamento”, transportam alimento e material, e só depois a nova rainha inicia postura. Isso reduz risco e mantém a colônia-mãe ativa. Embrapa

Onde elas nidificam no Cerrado

Espécies típicas ocupam cavidades de árvores, cupinzeiros vivos ou mortos, fendas de rochas e até o solo (algumas Melipona “do chão”). A entrada costuma ter tubos de cerume moldados, verdadeiros “portais” de controle do trânsito e da defesa. Em áreas urbanas, podem usar paredes, telhados e ocos de postes. femeldf.orgEmbrapa

Principais espécies que ocorrem no Distrito Federal

Abaixo, um guia prático (nome popular — científico — notas de campo). A lista não é exaustiva; foca espécies frequentes e/ou relevantes no DF:

  • Jataí — Tetragonisca angustula: pequena, muito mansa, mel aromático e mais fluido; distribuição ampla no Cerrado. Excelente para quintais e pomares. museucerrado.com.bripe.df.gov.br
  • Uruçu-amarela do Cerrado — Melipona rufiventris: maior porte, produz mel valorizado; alvo de ações de conservação no DF devido a pressões sobre populações naturais. Embrapa
  • Mandaçaia — Melipona quadrifasciata: robusta, boa polinizadora, cria bem em caixas racionais; comum na região Centro-Sul e presente no DF. Infoteca Embrapa
  • Guarupu/Guaraipo — Melipona bicolor: prefere áreas mais úmidas e sombreadas; ocorre no DF e em regiões adjacentes do Cerrado. Infoteca Embrapa
  • Iraí — Nannotrigona testaceicornis: pequenina, produtiva em pólen, ideal para polinização de hortas e viveiros. criarabelhas.com.br
  • Marmelada-amarela — Frieseomelitta varia: mel de sabor marcante; colônias defensivas com uso intenso de resinas na entrada. criarabelhas.com.br
  • Canudo/Tubi — Scaptotrigona spp. (ex.: S. postica): forrageadoras vigorosas, fazem entradas com muito batume; úteis na polinização, porém podem ser mais “zelosas” do ninho. Infoteca Embrapa
  • Boca-de-sapo — Partamona helleri: constrói bocas de entrada conspícuas; adaptada a ambientes abertos, incluindo áreas urbanas do DF. abelha.cria.org.br

Observação: além dessas, projetos locais e catálogos apontam uma diversidade >35 espécies no DF, e plataformas como o Atlas da Meliponicultura e iniciativas acadêmicas (UnB) ajudam a consolidar registros e boas práticas. unbeelab.unb.brabelha.org.br

Por que as abelhas sem ferrão importam para o Cerrado (e para a sua produção)

  • Polinização eficiente de frutíferas (maracujá, goiaba, citrus), hortaliças com flores e espécies nativas do Cerrado — aumentando pegamento de frutos, tamanho e qualidade.
  • Serviços ambientais: manutenção da flora local, suporte à fauna frugívora e melhora da resiliência de sistemas agroflorestais.
  • Renda complementar: mel, própolis e colônias (quando legalmente autorizado), com nichos de mercado de méis diferenciados e turismo pedagógico. Embrapa

Boas práticas e regras no Distrito Federal

  1. Priorize espécies nativas do DF e evite translocar abelhas de outros biomas sem respaldo técnico e legal.
  2. Respeite a legislação local (ex.: Lei Distrital 7.311/2023, que disciplina manejo de abelhas nativas sem ferrão) e busque orientação de EMATER-DF, UnB e associações locais. Emater Distrito Federal
  3. Instale o meliponário em local sombreado, ventilado e protegido de formigas e lagartos; use caixas racionais adequadas à espécie. Embrapa+1
  4. Alimente a paisagem: plante nativas do Cerrado que floresçam em épocas diferentes (baru, cagaita, araticum, ipês, cambará etc.).
  5. Manejo sanitário: higiene das caixas, revisões periódicas e controle de forídeos e traças reduzem perdas e mantêm produtividade. Embrapa

Para quem quer começar

  • Faça um curso local (EMATER-DF e associações realizam capacitações regulares).
  • Comece com 1–3 espécies mansas (ex.: jataí, iraí, mandaçaia) para aprender o ciclo anual, colheita e divisão de colônias.
  • Monte um calendário floral do seu entorno e registre floradas, clima e comportamento — dados simples guiam decisões e aumentam a produção. Emater Distrito Federal

Referências e leituras úteis

Atlas da Meliponicultura no Brasil — visão nacional e espécies priorizadas.

UnB — projeto “Abelhas sem ferrão do DF”: diversidade >35 espécies no DF. unbeelab.unb.br

EMATER-DF — Lei 7.311/2023 e oferta de cursos de meliponicultura. Emater Distrito Federal

Embrapa — manejo de colônias, caixas racionais, transferência de ninhos. Embrapa+1

Embrapa — guia geral de criação e espécies citadas no DF (Melipona rufiventris, M. quadrifasciata, M. bicolor, Scaptotrigona sp., T. angustula). Infoteca Embrapa

Museu do Cerrado — perfil da jataí no bioma. museucerrado.com.br

Embrapa (notícia) — Uruçu-amarela do Cerrado em foco de conservação no DF. Embrapa